Adolescentes, famílias e profissionais do Sistema de Garantia de Direitos participam de seminário sobre proteção contra a violência em São José dos Campos 
Publicado por
Equipe TOA
em 14/08/26
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Encontro promovido através de atividade do projeto Transformando o Amanhã- Direitos e Conquistas, realizado pelo Cenpec em parceria com a Petrobras, discutiu estratégias de prevenção às violências e reforçou o papel da atuação integrada na garantia dos direitos de crianças e adolescentes

Quem trabalha com infância costuma repetir que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva. O desafio é transformar essa ideia em prática. Foi justamente esse o exercício proposto pelo seminário Transformando o Amanhã: Diálogos pela Proteção, realizado na quarta-feira (29), no Centro de Formação do Educador (CEFE), em São José dos Campos.

O encontro reuniu estudantes, familiares e profissionais de diferentes áreas que atuam na garantia de direitos de crianças e adolescentes, entre eles educadores, representantes da Assistência Social e da Saúde, conselheiros tutelares e de direitos, profissionais do Sistema de Justiça e representantes do poder público e apostou em algo que ainda faz diferença: colocar pessoas que normalmente atuam em funções separadas para conversar entre si.

O projeto Transformando o Amanhã – Direitos e Conquistas, desenvolvido pelo Cenpec em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações educativas de promoção de direitos e cidadania  e parentalidade em escolas públicas, ações formativas de enfrentamento e prevenção à violência contra crianças e adolescentes com profissionais do SGDCA, fortalecendo  a atuação conjunta entre educação e rede de proteção.

Proteção exige atuação em rede

Na abertura do evento, a coordenadora do projeto Letícia Silva lembrou que o trabalho desenvolvido pelo Transformando o Amanhã vai muito além das atividades pontuais realizadas nas escolas.

“É um projeto que visa fortalecer as ações de prevenção e enfrentamento contra toda e qualquer forma de violência que atinge nossas crianças e adolescentes, por meio de ações educativas que desenvolvemos em parceria com os municípios.”

Segundo ela, a iniciativa já realizou mais de uma centena de oficinas de promoção de direitos e cidadania, encontros de parentalidade com famílias e formações voltadas a profissionais da educação e da rede de proteção, sempre articulando diferentes políticas públicas.

Também na mesa de abertura, Guilhermina Garcia, gerente de Projetos e Pesquisas do Cenpec, destacou a trajetória da organização, que desde 1987 atua na promoção da equidade educacional e da garantia dos direitos de crianças e adolescentes. 

Em sua fala, defendeu que o enfrentamento às violências depende da articulação entre diferentes políticas públicas e do fortalecimento das capacidades locais. “Nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha problemas tão complexos. É por isso que acreditamos na construção de redes, na formação continuada dos profissionais e no fortalecimento das capacidades locais”, afirmou.

Um seminário, diferentes conversas

Ao longo da manhã, a programação foi organizada para dialogar com diferentes públicos. Enquanto profissionais acompanharam debates sobre a Lei 13.431/2017, conhecida como Lei da Escuta Protegida, indicadores de violência e estratégias de atuação integrada, outra sala, composta por pais/mães, familiares e responsáveis, discutia um tema que atravessa praticamente todas as casas: o uso responsável de telas e a presença de  crianças e adolescentes na internet.

Durante a atividade sobre o ECA Digital, os participantes conversaram sobre segurança nas plataformas, responsabilidade das empresas de tecnologia, supervisão parental e os limites entre proibir e acompanhar o uso das redes.

Para Érica Cássia Santos, mãe de um estudante participante do projeto, o principal aprendizado foi entender que a proteção depende, antes de tudo, do diálogo.

“O melhor é dialogar, estar sempre junto com o filho. Não adianta proibir; é preciso orientar e acompanhar para que a tecnologia seja utilizada da forma correta.”

Na apresentação final do grupo, as famílias reforçaram que o ambiente digital já não pode ser tratado como uma “terra sem lei” e destacaram a importância de conhecer os mecanismos de proteção disponíveis para crianças e adolescentes.

Quando os estudantes assumem o microfone

Alunos do Ensino Fundamental II também participaram de oficinas sobre direitos, convivência e protagonismo juvenil. 

Um dos momentos mais marcantes do seminário aconteceu quando os próprios adolescentes ocuparam o palco para apresentar as discussões feitas nas oficinas.

Os grupos falaram sobre racismo, machismo, bullying, capacitismo, xenofobia, intolerância religiosa e assédio. Mas não ficaram apenas na identificação dos problemas. Também discutiram caminhos possíveis para melhorar a convivência nas escolas.

Pedro Samuel, de 14 anos, chamou atenção para o papel que os próprios jovens podem exercer na prevenção das violências.

“A gente, sendo adolescente, a gente precisa acreditar que a nossa palavra tem um peso maior. Quando vê alguma situação de bullying ou outra atitude que não é legal, pode conscientizar e procurar um adulto responsável para ajudar a resolver e alertar os amigos que isso é errado.”

A estudante Cintia, 13 anos, lembrou que muitos preconceitos ainda fazem parte do cotidiano escolar e que enfrentar esse cenário exige diálogo constante entre estudantes, famílias e educadores.

Levar o debate para além das escolas

Para Karla Dias da Silva Braga, coordenadora do Transformando o Amanhã, em São José dos Campos, o seminário nasceu do desejo de compartilhar com toda a cidade discussões que já vinham sendo construídas nas escolas participantes.

“Nós atendemos escolas de uma região do município, mas queríamos que toda a cidade tivesse acesso às informações e ao trabalho que está sendo desenvolvido”, explicou.

No encerramento, Letícia Silva sintetizou o espírito do encontro ao lembrar que nenhuma política pública funciona isoladamente.

“Para pensar em como cuidar melhor das nossas crianças e adolescentes, a gente precisa de todo mundo junto. Precisamos dar voz para eles, ouvir as famílias e trabalhar lado a lado com os profissionais da rede. O futuro que precisamos cuidar começa hoje.”

Sobre o Transformando o Amanhã

O projeto “Transformando o amanhã – direitos e conquistas”, realizado pelo Cenpec, em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, atua na prevenção à violência contra crianças e adolescentes. Suas ações se baseiam na educação protetiva e no desenvolvimento de atividades articuladas entre escolas, famílias e a rede de proteção, visando garantir o desenvolvimento integral e a segurança dos jovens.

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