Encontro promovido através de atividade do projeto Transformando o Amanhã- Direitos e Conquistas, realizado pelo Cenpec em parceria com a Petrobras, discutiu estratégias de prevenção às violências e reforçou o papel da atuação integrada na garantia dos direitos de crianças e adolescentes
Quem trabalha com infância costuma repetir que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva. O desafio é transformar essa ideia em prática. Foi justamente esse o exercício proposto pelo seminário Transformando o Amanhã: Diálogos pela Proteção, realizado na quarta-feira (29), no Centro de Formação do Educador (CEFE), em São José dos Campos.
O encontro reuniu estudantes, familiares e profissionais de diferentes áreas que atuam na garantia de direitos de crianças e adolescentes, entre eles educadores, representantes da Assistência Social e da Saúde, conselheiros tutelares e de direitos, profissionais do Sistema de Justiça e representantes do poder público e apostou em algo que ainda faz diferença: colocar pessoas que normalmente atuam em funções separadas para conversar entre si.
O projeto Transformando o Amanhã – Direitos e Conquistas, desenvolvido pelo Cenpec em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações educativas de promoção de direitos e cidadania e parentalidade em escolas públicas, ações formativas de enfrentamento e prevenção à violência contra crianças e adolescentes com profissionais do SGDCA, fortalecendo a atuação conjunta entre educação e rede de proteção.
Proteção exige atuação em rede
Na abertura do evento, a coordenadora do projeto Letícia Silva lembrou que o trabalho desenvolvido pelo Transformando o Amanhã vai muito além das atividades pontuais realizadas nas escolas.
“É um projeto que visa fortalecer as ações de prevenção e enfrentamento contra toda e qualquer forma de violência que atinge nossas crianças e adolescentes, por meio de ações educativas que desenvolvemos em parceria com os municípios.”
Segundo ela, a iniciativa já realizou mais de uma centena de oficinas de promoção de direitos e cidadania, encontros de parentalidade com famílias e formações voltadas a profissionais da educação e da rede de proteção, sempre articulando diferentes políticas públicas.
Também na mesa de abertura, Guilhermina Garcia, gerente de Projetos e Pesquisas do Cenpec, destacou a trajetória da organização, que desde 1987 atua na promoção da equidade educacional e da garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Em sua fala, defendeu que o enfrentamento às violências depende da articulação entre diferentes políticas públicas e do fortalecimento das capacidades locais. “Nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha problemas tão complexos. É por isso que acreditamos na construção de redes, na formação continuada dos profissionais e no fortalecimento das capacidades locais”, afirmou.
Um seminário, diferentes conversas
Ao longo da manhã, a programação foi organizada para dialogar com diferentes públicos. Enquanto profissionais acompanharam debates sobre a Lei 13.431/2017, conhecida como Lei da Escuta Protegida, indicadores de violência e estratégias de atuação integrada, outra sala, composta por pais/mães, familiares e responsáveis, discutia um tema que atravessa praticamente todas as casas: o uso responsável de telas e a presença de crianças e adolescentes na internet.
Durante a atividade sobre o ECA Digital, os participantes conversaram sobre segurança nas plataformas, responsabilidade das empresas de tecnologia, supervisão parental e os limites entre proibir e acompanhar o uso das redes.
Para Érica Cássia Santos, mãe de um estudante participante do projeto, o principal aprendizado foi entender que a proteção depende, antes de tudo, do diálogo.
“O melhor é dialogar, estar sempre junto com o filho. Não adianta proibir; é preciso orientar e acompanhar para que a tecnologia seja utilizada da forma correta.”
Na apresentação final do grupo, as famílias reforçaram que o ambiente digital já não pode ser tratado como uma “terra sem lei” e destacaram a importância de conhecer os mecanismos de proteção disponíveis para crianças e adolescentes.
Quando os estudantes assumem o microfone
Alunos do Ensino Fundamental II também participaram de oficinas sobre direitos, convivência e protagonismo juvenil.
Um dos momentos mais marcantes do seminário aconteceu quando os próprios adolescentes ocuparam o palco para apresentar as discussões feitas nas oficinas.
Os grupos falaram sobre racismo, machismo, bullying, capacitismo, xenofobia, intolerância religiosa e assédio. Mas não ficaram apenas na identificação dos problemas. Também discutiram caminhos possíveis para melhorar a convivência nas escolas.
Pedro Samuel, de 14 anos, chamou atenção para o papel que os próprios jovens podem exercer na prevenção das violências.
“A gente, sendo adolescente, a gente precisa acreditar que a nossa palavra tem um peso maior. Quando vê alguma situação de bullying ou outra atitude que não é legal, pode conscientizar e procurar um adulto responsável para ajudar a resolver e alertar os amigos que isso é errado.”
A estudante Cintia, 13 anos, lembrou que muitos preconceitos ainda fazem parte do cotidiano escolar e que enfrentar esse cenário exige diálogo constante entre estudantes, famílias e educadores.
Levar o debate para além das escolas
Para Karla Dias da Silva Braga, coordenadora do Transformando o Amanhã, em São José dos Campos, o seminário nasceu do desejo de compartilhar com toda a cidade discussões que já vinham sendo construídas nas escolas participantes.
“Nós atendemos escolas de uma região do município, mas queríamos que toda a cidade tivesse acesso às informações e ao trabalho que está sendo desenvolvido”, explicou.
No encerramento, Letícia Silva sintetizou o espírito do encontro ao lembrar que nenhuma política pública funciona isoladamente.
“Para pensar em como cuidar melhor das nossas crianças e adolescentes, a gente precisa de todo mundo junto. Precisamos dar voz para eles, ouvir as famílias e trabalhar lado a lado com os profissionais da rede. O futuro que precisamos cuidar começa hoje.”
Sobre o Transformando o Amanhã
O projeto “Transformando o amanhã – direitos e conquistas”, realizado pelo Cenpec, em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, atua na prevenção à violência contra crianças e adolescentes. Suas ações se baseiam na educação protetiva e no desenvolvimento de atividades articuladas entre escolas, famílias e a rede de proteção, visando garantir o desenvolvimento integral e a segurança dos jovens.






